30.8.14



Estava a ir deixa-lo ao farnel quando começou a tocar a musica.Mudei rapidamente a estação de radio para outra com uma musica mais mexida para que ele nao se apercebesse. Nao sei se isso aconteceu. Parei no farnel, estava mais distante do que posso imaginar. Assim que saí, voltei a colocar na estação, Radio Renascença e as lagrimas começaram a escorrer-me pelo rosto. Vim para casa na companhia de Eric Clapton- tears in heaven. Talvez tenha sido a viagem de carro mais comprida de todo o sempre, nao havia intervalos entre lagrimas, as gotas caiam-me pela cara como se tivessem pressa de sair, pareceu interminável. Tenho tantas saudades tuas. Ainda estou a soluçar. Nao imaginas a falta que me fazes, o aperto que tenho no peito agora, na garganta. Estou a ficar inundada. Apercebi-me que nao tinha trazido as chaves de casa, o que significaria que a mae teria que me abrir a porta. Não, isso não. Limpei a cara, mas como tu sempre soubeste os meus olhos ficam tão vermelhos e inchados que é impossivel de disfarçar. Ainda assim, esforçei-me, entrei em casa, a mae estava ensonada como tambem a conheces. Dei-lhe um beijo no escuro - e ainda bem - que estava a casa e vim para o meu quarto. Ela não notou, ainda bem. Nao queria ter de lhe explicar que hoje estou particularmente fragil. Que o meu coração sente a tua falta como se fosse teu, que está despedaçado, completamente em cacos, está no chão há espera que o venhas consertar. Está a ficar impossivel limpar estas lágrimas. Vem-me consolar, diz-me que este tempo todo foi um pesadelo. Acorda-me como fazias, da-me um beijo e amanha vamos tomar o pequeno almoço juntos. Vou dizer-te que gosto de ti da forma mais pura que há, mais verdadeira. Dói tanto. Nunca doeu menos, dói como sempre doeu, como se fosse aquele dia 24 de maio. Dói como se eu nao fosse nada, nao tivesse nada. Dói-me a vida ser assim. Hoje vou dormir com o coração bem apertado. Hoje fui fraca, ou talvez tenha sido forte, talvez tenha sido este tempo todo. Mas hoje sinto-me assim, fraca por nao ter aguentado a saudade com um sorriso nos labios. Amo-te, amo-te tanto e só desejo que a tua alma me venha concertar hoje. Estás-me a ver ? Nao mudei nada, continuo a ser a tua pequena

16.8.14



Tenho de sair.Estou atrasada. E sem qualquer motivo aparente,apeteceu-me sentar aqui e escrever.Está um por do sol tão bonito, que atravessa os meus cortinados de renda, e um vento tão suave que faz voar o meu caça-sonhos que me faz sentir num ambiente demasiado tranquilo, demasiado meu, que me arranca de tudo e me faz sentar aqui. Transmitir tudo de cabeça e coraçao para os dedos desenharem palavras. Sempre tive uma caligrafia horrivel, confesso. Mas esta caligrafia é diferente, é a forma como me transmito, como o que sinto me passa para as mãos, como desenho as palavras e as escrevo e reescrevo. Nao sei, sei que estou a ficar cada vez mais atrasada mas a vontade de sair daqui não desaparece. Estou a pensar no quanto a vida é efemera, no quão rapidas e passageiras sao as coisas. Detesto pensar nisso mas dei por mim a fazê-lo, a imaginar o que será de mim quando ja nao o for. O que virá depois ? Quer dizer, tem de haver algo nao é verdade ? Afinal, o corpo- ossos, musculos- isso que é material , claro que se vai, como todas as maquinas, esta maquina tem periodo de vida. Mas então e tudo aquilo que aprendi e irei aprender ? Todas as experiencias vividas, amizades, amores, lições, tudo aquilo que nao é material.Tudo aquilo que faz de nos verdadeiramente pessoas.Tudo aquilo que está para alem do que se possa ver.Aquilo que se sente. Que trazemos connosco no dia a dia, Aquilo que transmitimos. Afinal para onde é que isso vai ? Este mau-feitio levou demasiados anos a construir para depois morrer. E aquilo tudo que aprendi ?. Sei que nao te questionavas sobre estas coisas, eras tão crente. Quero que tenhas razão e que te encontres nesse sitio que sempre acreditaste. Nao quero acreditar que o maravilhoso homem que foste tenha ido completamente. Gosto tanto de aqui estar, mas quando assim o for, meu amor, guarda um lugar para mim bem perto de ti que esta saudade começa a suforcar-me